
O Observatório de Práticas Curriculares (OPC/UFSC) realizou no dia 22 de abril de 2026 mais uma edição do Ciclo de Entrevistas, recebendo o Prof. Dr. Walter Günther Rodrigues Lippold como convidado. A entrevista foi conduzida pelo Prof. Dr. Alaim Souza Neto, líder do grupo, com o apoio técnico dos/as doutorandos/as em Educação Raquel Pinheiro Matiola e Rafael dos Santos, sendo transmitida ao vivo pelo canal oficial do OPC no YouTube.
O Ciclo de Entrevistas, intitulado Currículo, Tecnologias e Formação Humana: contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica, constitui-se como um projeto de extensão desenvolvido pelo OPC/UFSC, em parceria com o Grupo de Estudos e Pesquisas Formação de Professores e Práticas de Ensino (FOPPE/UFSC) e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) do Centro de Ciências da Educação (CED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Sobre o entrevistado, Lippold é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e possui trajetória acadêmica consolidada nas temáticas como História da Tecnologia, História Intelectual e História do Mundo Afro-Asiático, articulando em sua produção os fundamentos históricos na relação com discussões contemporâneas do campo educacional.
Ao longo da entrevista, o pesquisador desenvolveu uma análise sobre a inserção das tecnologias digitais na sociedade contemporânea, compreendendo-as como produções históricas vinculadas às relações sociais de produção. Destacou, ainda, que não há neutralidade tecnológica, uma vez que as tecnologias digitais se inserem em dinâmicas de poder, controle e dependência, evidenciando processos que podem ser compreendidos na perspectiva do colonialismo digital.
No campo educacional, Lippold problematizou o uso e acrítico das tecnologias, frequentemente tratadas como soluções imediatas para desafios estruturais da educação. Argumentou que a perspectiva solucionista tende a deslocar o foco do conhecimento para o uso de ferramentas, esvaziando o papel formativo do ensino e subordinando o currículo a demandas instrumentais, deterministas e tecnocêntricas em que pese a tecnologia a serviço do capital.
Por fim, a entrevista também apontou possibilidades de enfrentamento às formas contemporâneas de dominação tecnológica, destacando a importância de uma apropriação crítica dos artefatos digitais, articulada à formação teórica sólida e a posicionamentos coletivos de resistência no campo educacional. Convidamos a comunidade acadêmica e os profissionais da educação a assistirem ao conteúdo na íntegra e aprofundarem o debate sobre as relações entre currículo, tecnologias e formação humana em perspectiva crítica. A próxima entrevista será em 26 de maio de 2026 com a Profa. Dra. Marise Ramos.